Jogo de gerenciamento da Broken Arms Games adapta a estrutura dos 4X a um modelo baseado em restaurar, relaxar, reviver e reciclar.
BioEden, jogo de gerenciamento da Broken Arms Games publicado pela Focus Entertainment, está disponível no Xbox Series X|S e custa US$ 21,99 na Microsoft Store. Em vez de expandir impérios e eliminar rivais, o jogador recebe a missão de devolver a vida a um mundo devastado.
O estúdio apresenta a proposta como uma releitura dos jogos 4X, gênero cujo nome vem de eXplore, eXpand, eXploit e eXterminate: explorar o mapa, expandir o território, aproveitar os recursos e eliminar adversários. BioEden substitui essa lógica pelos 4R, sigla de Restore, Relax, Revive e Recycle.
Um futuro solarpunk
A ambientação é pós-apocalíptica, mas guiada por ideais solarpunk, movimento especulativo que imagina um futuro esperançoso movido a energia renovável e equilíbrio ecológico. A humanidade se espalhou pelo espaço, a Terra se tornou inabitável e a maior parte das espécies animais está extinta. A colonização é supervisionada pelo Collective, assembleia política formada por guildas espaciais rivais, que coordena os esforços para recuperar a vida perdida nos planetas, sem se importar se a destruição veio do colapso climático ou das civilizações que ali viveram.
O jogador assume o papel de um Keeper, especialista designado pelo Cosmic Collective para restaurar um planeta, um ecossistema de cada vez. No caminho, também desvenda o mistério do Great Unraveling.
Os quatro R na prática
Para escapar da lógica de conquista, os desenvolvedores buscaram referências em jogos de gerenciamento aconchegantes e de temática ambiental, como Terra Nil, The Wandering Village e Timberborn. Cada pilar funciona assim:
- Restaurar: remover destroços e purificar terras e águas poluídas.
- Relaxar: sem império rival nem cronômetro, a construção segue o ritmo do jogador.
- Reviver: o solo estabilizado volta a receber plantas e, depois, espécies animais extintas.
- Reciclar: qualquer construção pode ser desmontada a qualquer momento, com devolução dos recursos e sem deixar rastros.
Yves Hohler, CEO e diretor criativo da Broken Arms Games, resumiu que BioEden não trata de conquistar um mundo, mas de ajudá-lo a se curar. Segundo ele, a meta era criar um jogo em que restaurar a natureza fosse mais recompensador do que explorá-la.
A estrutura dos 4X com outro propósito
Parte do esqueleto do gênero continua presente. Como nos 4X clássicos, a partida começa sem pesquisas nem tecnologias, mas o avanço não depende de uma árvore voltada a ganho territorial: ele vem de momentos da história, escolhas e pedidos que aumentam a confiança da guilda e liberam novas construções e melhorias.
A diplomacia também muda de alvo. Não há negociação com impérios de outros jogadores ou da IA; a única relação que importa é com o próprio planeta, que responde de acordo com as escolhas e o estilo de cada jogador.
Toda construção tem um custo ambiental
A tensão central vem de uma regra simples: tudo o que é erguido é artificial, consome recursos e polui só por existir. A maior parte das estruturas precisa de eletricidade e, às vezes, de água, então é preciso gerar energia e ligar cada edifício à fonte, diretamente ou por postes. Assim, uma construção pode rapidamente exigir outras duas, e a poluição cresce junto.
A reciclagem equilibra o sistema. Diferentemente da maioria dos 4X, em que demolir devolve no máximo uma fração do investimento, em BioEden o jogador recupera tudo o que gastou e desfaz a poluição causada. Não há condições de derrota nem pressão punitiva, e qualquer erro pode ser revertido. O planeta é organizado em domos interconectados, cada um uma reserva equilibrada conforme as demandas do Collective, com redes de energia e água, árvores de progressão e dezenas de espécies animais que retornam quando recebem o bioma adequado.
Elisa Farinetti, desenvolvedora de negócios da Broken Arms Games, afirmou que a intenção é deixar o jogador à vontade, sem pressão e com tempo para descobrir, explorar e observar enquanto o planeta é restaurado.
