Rumores sobre Call of Duty no Game Pass indicam crise no Xbox

A recente mudança na liderança da Microsoft Gaming trouxe uma nova direção para a empresa, que agora parece priorizar os lucros imediatos em vez de uma expansão ousada de serviços. Com a saída de Phil Spencer e a chegada de Asha Sharma como CEO, o ecossistema do Xbox enfrenta um momento delicado, talvez o mais crítico desde o lançamento do Game Pass.

Nos bastidores, rumores têm circulado, especialmente em fóruns como o CODWarfareForum, sobre uma possível mudança na estratégia envolvendo a famosa franquia Call of Duty. A especulação sugere que a Microsoft poderia deixar de oferecer os lançamentos “Dia 1” dessa série no serviço de assinatura, o que, se confirmado, poderia impactar bastante a experiência dos jogadores. A situação econômica atual, que se desenha para março de 2026, torna essa possibilidade ainda mais crível.

Depois de uma reestruturação significativa em fevereiro, que incluiu a saída de Phil Spencer e Sarah Bond, Asha Sharma chegou com a missão de melhorar a “eficiência fiscal” da empresa. As vendas de hardware caíram 32% e a receita de jogos teve uma queda de 9% em 2025. A conta pela aquisição da Activision Blizzard começou a pesar, e manter Call of Duty disponível para assinantes do Game Pass sem custo adicional se tornou um desafio financeiro complicado para a empresa.

Call of Duty é uma das poucas franquias que consegue vender milhões de cópias a preços altos, como os US$ 70 por título. Quando a Microsoft lançou Black Ops 6 no Game Pass em 2024, viu um aumento expressivo nas assinaturas, mas isso teve um preço: a receita com vendas unitárias despencou. Com o desenvolvimento do próximo jogo, que se especula ser Modern Warfare 4, exigindo investimentos enormes, a nova gestão parece menos inclinada a repetir esse modelo.

A estratégia de Sharma parece focar em transformar o Xbox em uma potência de software que funcione em múltiplas plataformas. Isso significa que a ideia agora é vender os jogos em diversas lojas, incluindo concorrentes como PS5 e Switch 2, garantindo um retorno financeiro mais rápido. O crescimento das assinaturas do Game Pass não tem sido suficiente para sustentar essa mudança.

Com essa nova abordagem, a Microsoft já começou a reestruturar seu serviço de assinatura, introduzindo níveis como Essential, Premium e Ultimate. O Ultimate, por exemplo, agora custa R$ 119,90 por mês. Rumores apontam que Call of Duty pode ser retirado do modelo de lançamento imediato para os níveis mais baixos, ou até ser oferecido como um conteúdo “A La Carte”, onde os assinantes teriam um desconto, mas ainda precisariam comprar o jogo para jogá-lo assim que for lançado.

Essa mudança reflete uma nova filosofia que se afasta da visão “gamer-first” de Spencer e adota uma abordagem mais voltada para a engenharia de software no entretenimento, onde cada produto precisa se sustentar financeiramente. Se essa estratégia realmente se concretizar, a saída de Call of Duty do Game Pass pode marcar um momento decisivo para a relevância dos consoles Xbox. Sem a promessa de grandes lançamentos no dia em que chegam ao mercado, a principal vantagem competitiva em relação ao PlayStation pode se dissipar.

Para o mercado, 2026 promete ser o ano em que o Xbox reconhece que a “guerra de serviços” teve um custo alto demais. A nova meta é maximizar o lucro por usuário, mesmo que isso signifique transformar o Game Pass em um catálogo premium, em vez de uma vitrine de lançamentos. O verdadeiro impacto dessa mudança pode ser sentido quando a Microsoft anunciar a primeira leva de jogos de março, e a ausência de garantias para o próximo Call of Duty será um termômetro importante para o futuro da marca.