Você já parou para pensar em como alguns criadores de jogos têm um jeito todo especial de deixar sua marca em cada detalhe? Um dos nomes mais conhecidos nessa lista é Hideo Kojima, mas hoje vamos falar de outro grande nome: Goichi Suda, ou Suda51. Se você ainda não ouviu falar dele, a nova aventura chamada Romeo is a Dead Man é uma ótima chance para entender por que ele é tão respeitado no meio.
Esse jogo é uma verdadeira montanha-russa de sensações. Em alguns momentos, você vai se sentir imerso em um delírio criativo incrível, enquanto em outros, pode se perder no meio de situações confusas e bizarras. A jogabilidade, por outro lado, não é das mais empolgantes e pode acabar se tornando cansativa com o tempo. Vamos explorar tudo isso juntos.
Quem é Goichi Suda?
Goichi Suda, mais conhecido como Suda51, é um dos criadores mais excêntricos e autorais da indústria de games. Nascido no Japão, ele fundou a Grasshopper Manufacture e ficou famoso por desenvolver jogos com um estilo visual único e narrativas que fogem do comum. Sua obra é repleta de referências à cultura pop, ao punk e ao cinema cult. Com títulos como No More Heroes, que mistura humor ácido e violência estilizada, e Killer7, com sua estética cel-shading e narrativa surreal, Suda51 se consolidou como um ícone entre os fãs que buscam por experiências diferentes no mundo dos games.
O lançamento de Romeo is a Dead Man gerou grandes expectativas, e isso não é por acaso.
Uma trama de Shakespeare no espaço? Não exatamente
Apesar do nome que faz referência a Shakespeare, as conexões com a tragédia são bem superficiais. No jogo, você assume o papel de Romeo Stargazer, um jovem vice-xerife que acaba morrendo em um encontro com alienígenas. Ele é ressuscitado pelo avô, um inventor maluco que lembra o famoso Doc Brown de De Volta Para o Futuro. O avô funde sua essência a um patch que fica nas costas da jaqueta de Romeo, e agora ele se transforma em um ciborgue que faz parte de uma divisão do FBI responsável por crimes multiversais. A missão? Caçar criminosos através do tempo e espaço, incluindo versões monstruosas de sua amada, Juliet, que se torna uma entidade cósmica capaz de ameaçar a realidade. Um enredo bem doido, não é mesmo?
Um banquete visual caótico
Uma das grandes forças de Romeo is a Dead Man é a sua estética imprevisível. Você vai ver mudanças de estilo visual o tempo todo: tem pixel art 2D, trechos que parecem histórias em quadrinhos e até locais construídos com blocos coloridos. Essa falta de coerência visual é intencional e faz com que você fique sempre curioso sobre o que vem a seguir. No entanto, quando o assunto é a jogabilidade, as coisas não são tão empolgantes. Prepare-se para um verdadeiro banho de sangue, à la Quentin Tarantino, enquanto avança no jogo.
Suda51, o que você fez?
Se a estética é a estrela do jogo, a parte de jogabilidade deixa um pouco a desejar. Romeo is a Dead Man é um jogo de ação em terceira pessoa, no estilo hack and slash, com alguns elementos que lembram os jogos soulslike. Você conta com um conjunto de armas de curta e longa distância, com cerca de quatro opções em cada categoria. A ideia é simples: atacar e eliminar os inimigos, que, na maioria das vezes, são zumbis. Você pode se esquivar e usar ataques especiais, mas, em determinado momento, a repetição se torna evidente, e o jogo pode virar um “esmaga botão”. Os inimigos não evoluem conforme seu nível de habilidade, o que pode tornar a experiência monótona.
E, claro, os chefes são enormes, mas não trazem muita estratégia nova para você aprender.
Vale a pena?
Romeo is a Dead Man reforça a posição de Suda51 como um dos poucos verdadeiros autores destemidos do mundo dos games, ao lado de nomes como Kojima e Miyazaki. O jogo é uma colcha de retalhos de ideias, com uma narrativa surreal que vai te surpreender. A estética é linda, mas a jogabilidade pode frustrar um pouco. Embora tenha seus momentos de brilho, a execução técnica do combate apresenta alguns problemas, como controles imprecisos e uma dificuldade que pode ser frustrante em certos chefes.
O que fica é uma experiência única e memorável, mesmo com suas falhas. As ideias são intrigantes e a jornada é insana, garantindo que você tenha algo para lembrar, mesmo que não seja um jogo perfeito. No final das contas, é uma ótima experimentação que vale a pena conferir.

