O custo para desenvolver jogos AAA está alcançando cifras impressionantes, passando dos US$ 300 milhões em média. Isso representa mais de R$ 1,56 bilhões na nossa moeda. Segundo Jason Schreier, da Bloomberg, a maior parte desse investimento vai para os salários dos desenvolvedores. Ele também destaca que a transparência nas produtoras é bem limitada quando se trata dos custos de produção, o que dificulta uma noção exata desses gastos. Em alguns casos, como o de Call of Duty: Black Ops Cold War, os números podem ser ainda mais altos, chegando a US$ 700 milhões.
Surpreendentemente, a maior parte desse montante é destinada aos salários dos profissionais que estão por trás dos jogos. Os executivos das grandes empresas costumam receber uma parte significativa de seus pagamentos em ações, o que muda o cenário financeiro. Vale lembrar que esses dados se referem principalmente aos Estados Unidos e Canadá. E a localização de um estúdio pode impactar bastante o custo de produção, já que regiões com custo de vida elevado exigem salários mais altos para os desenvolvedores.
Com esse nível de investimento em jogos AAA, é fácil entender por que estamos vendo tantas demissões na indústria. Uma vez que os executivos têm seus interesses alinhados com o valor das ações, é natural que busquem enxugar despesas. Isso, por sua vez, pode explicar a corrida para incorporar a inteligência artificial no desenvolvimento, que muitos veem como uma forma de reduzir custos e, consequentemente, o número de funcionários.
As críticas ao modelo de negócios seguido pelas produtoras de jogos AAA não são novas. No entanto, parece que elas estão decididas a continuar investindo pesado na “grandeza” dos jogos, ao invés de explorar outras possibilidades. E, enquanto isso, os jogadores têm mostrado que não é preciso gastar tanto para entregar uma experiência de qualidade. É um dilema interessante, não é mesmo? O que será que o futuro reserva para essa indústria tão dinâmica?

