Novo capítulo da série de terror psicológico japonês acompanha Junko, uma hikikomori, e já está disponível no Xbox Series X|S e no PC.
A Serafini Productions lançou em 10 de setembro BrokenLore: Don’t Lie, nova entrada da série de terror psicológico japonês BrokenLore, disponível no Xbox Series X|S e no PC. O jogo, publicado pela Wired Productions, funciona como uma história independente, mas também integra um fio narrativo maior que o estúdio usa para abordar questões sociais sob diferentes pontos de vista.
Sebastiano Serafini, fundador e CEO da empresa, explicou que o gênero é o veículo, e não o fim: por trás dos sustos, cada capítulo da franquia se apoia em experiências humanas.
A história de Junko
A protagonista é Junko, uma jovem hikikomori, termo usado no Japão para pessoas que se afastam do convívio social e buscam isolamento por razões sociais ou psicológicas. Criada por um pai que estava presente sem nunca estar de fato disponível, ela aprendeu cedo a se fechar. As poucas tentativas de se aproximar de outras pessoas terminaram em rejeição e humilhação, e o afastamento do mundo externo se consolidou.
Com o tempo, a fronteira entre memória e realidade começa a ruir. Lugares conhecidos se convertem em reflexos do passado, e Junko precisa encarar pessoas, vivências e emoções que passou anos reprimindo antes de perder a si mesma.
Como o jogo funciona
Don’t Lie é jogado em primeira pessoa e aposta em uma progressão lenta, marcada por paranoia e percepção pouco confiável. A exploração é confinada: o jogador vasculha o apartamento de Junko e espaços distorcidos ao redor, reunindo mensagens, arquivos e pistas do ambiente. Há também uma presença invisível que acompanha o comportamento da personagem, o que exige cautela e movimentos discretos. O cenário alterna entre ambientes familiares e espaços liminares deformados, moldados pelas lembranças e pelos medos da protagonista.
Ligação com Don’t Watch
O novo capítulo se conecta a BrokenLore: Don’t Watch. Junko e Shinji, protagonista do jogo anterior, se conheceram em 2020 em um centro de reabilitação, onde ambos faziam tratamento para transtornos psiquiátricos distintos que os levaram ao isolamento. Se Don’t Watch tratou da origem do afastamento de Shinji, Don’t Lie se dedica à trajetória de Junko.
Essa estrutura fragmentada é intencional. De acordo com Serafini, cada jogo se sustenta sozinho, mas quem se interessar em investigar pode ligar as peças e montar um panorama maior do universo.
De onde vêm os temas
O interesse pelo fenômeno hikikomori nasceu da vivência do executivo, que mora no Japão há muitos anos e acompanhou como o afastamento social é debatido no país. Ele ressalta, porém, que o isolamento não é um problema exclusivamente japonês; o Japão foi apenas a lente pela qual se aproximou do assunto.
O capítulo também incorpora um tema mais recente: a relação das pessoas com companheiros de inteligência artificial. A observação de que cada vez mais gente recorre a ferramentas de IA não só para buscar informações, mas também para falar de problemas pessoais e pedir conselhos, inspirou a criação de Miki-chan, personagem de Don’t Lie.
O estúdio afirma ter muitas outras histórias planejadas para a série e cita o apoio da Wired Productions e da Shochiku nesse caminho. O jogo pode ser encontrado na página de BrokenLore: Don’t Lie na Microsoft Store, e a Serafini Productions indica que novos personagens e temas devem ampliar o universo nos próximos capítulos.
