Desenvolvedora explica por que escolheu o gênero roguelite, multiplayer peer-to-peer e modo offline para o novo jogo publicado pela Devolver.
A Behaviour Interactive detalhou as decisões por trás de Serious Sam: Shatterverse, novo jogo da série de tiro criada pela Croteam e publicado pela Devolver Digital. Em vez de repetir a fórmula tradicional, o estúdio adotou a estrutura de roguelite em primeira pessoa, com partidas que mudam a cada tentativa e foco em jogar em equipe.
A Behaviour contou que entrou no projeto quando a Devolver procurava uma desenvolvedora para um novo Serious Sam. Parte da equipe, segundo o estúdio, cresceu jogando Serious Sam: The First Encounter, lançado no início dos anos 2000, e se considera fã do trabalho da Croteam.
Das origens ao Unreal Engine
O primeiro passo, de acordo com a desenvolvedora, foi reproduzir no Unreal Engine as sensações que definem a franquia: o hábito de correr de costas atirando, o tiroteio e os inimigos clássicos. Depois disso, esses elementos passaram por modernização e redesenho. The First Encounter e The Second Encounter serviram de inspiração principal, e a Behaviour afirma querer que Shatterverse funcione como uma homenagem ao começo da série, que está perto de completar 25 anos.
Por isso, ações intensas, ondas gigantescas de inimigos e confrontos com chefes continuam no centro da experiência. O estúdio diz que cada chefe foi planejado como um grande momento de espetáculo e um teste real para o jogador.
Por que roguelite
Com a base pronta, a Behaviour avaliou que o jogo já tinha cara de Serious Sam, mas ainda não tinha personalidade própria. A equipe diz ter tentado entender o que os jogadores sentiam nos títulos originais e chegou a dois objetivos. O primeiro era a vontade de repetir a mesma fase várias vezes, atrás de segredos e de pontuações maiores. O segundo era a impressão de que tudo poderia acontecer, inclusive situações em que as chances estavam contra o jogador, marca de alguns encontros criados pela Croteam. Na avaliação do estúdio, o roguelite em primeira pessoa era o formato que atendia a essas duas metas.
A desenvolvedora reconhece que o gênero ainda é visto como nichado e de difícil entrada. A intenção declarada é que Shatterverse possa ser apresentado a amigos e familiares que nunca jogaram Serious Sam, um FPS ou um roguelite, com sistemas simples de entender e profundidade suficiente para quem busca dominar o jogo.
Peer-to-peer, modo offline e expansões
A mesma preocupação guiou o multiplayer. A Behaviour optou por conexões peer-to-peer em vez de servidores dedicados e incluiu um modo solo offline. O objetivo, segundo o estúdio, é que o jogo continue jogável daqui a 5, 10 ou até 15 anos e não saia das lojas digitais caso não se torne um grande sucesso.
A empresa também afirma que Shatterverse chega como um produto completo e independente, com preço compatível, sem depender de conteúdo de serviço contínuo. Ainda assim, a estrutura foi preparada para receber expansões, DLCs e novidades, que segundo a Behaviour vão ampliar a experiência sem retirar nada do que o jogador já comprou. Na página do jogo na Microsoft Store dos Estados Unidos, o preço listado é de US$ 19,99.
O estúdio relata ter realizado vários testes beta e usado as sugestões da comunidade para ajustar o jogo ao longo desse processo.
Vários Sams contra Uber Mental
Na trama, Sam Stone não luta sozinho. As maquinações de Uber Mental romperam as barreiras entre universos, e versões de Sam vindas de dimensões diferentes precisam cooperar para consertar o Shatterverse. O jogador integra o Serious Program, força multidimensional que se opõe ao vilão e viaja por realidades instáveis para concluir batalhas que outros Sams não conseguiram vencer. Em muitas dessas linhas do tempo, Mental já saiu vitorioso.
Para avançar, é preciso derrotar os cinco tenentes do antagonista, cada um deles um chefe. Entre as ferramentas descritas pela Devolver estão armas icônicas da série ao lado de novidades, bônus desbloqueáveis, modificadores de partida e melhorias permanentes. Os mapas trazem anomalias, portais escondidos e oportunidades arriscadas que podem turbinar ou encerrar uma tentativa, e os inimigos clássicos dividem espaço com monstros inéditos. As partidas mudam de forma procedural, mas acontecem em arenas feitas à mão, ambientadas em mundos que a série ainda não havia explorado.
A Behaviour diz esperar que Shatterverse sirva de porta de entrada para novos jogadores e os leve a conhecer também os jogos anteriores da franquia.
