High on Life 2: roteiro brilhante e gameplay frustrante

REVIEW | High on Life 2 é caótico e tem roteiro brilhante, mas gameplay vai te irritar bastante

High on Life 2 é uma sequência que promete muito, mas não dá para ignorar algumas falhas. O jogo, desenvolvido pela Squanch Games, traz de volta o humor ácido e as tiradas sarcásticas que marcaram o primeiro título, mas os problemas no gameplay podem ser um grande obstáculo para muitos.

Se você não jogou o primeiro High on Life, não se preocupe. A história segue um fio condutor que, mesmo sem conhecimento prévio, não deixa o jogador perdido. Contudo, é bom saber que o enredo é bem caótico, ideal para quem curte séries como Rick and Morty, recheado de piadas para adultos e diálogos incessantes. Uma coisa a se notar é que o jogo não tem dublagem em português, então prepare-se para ler bastante as legendas. Se você não curte diálogos longos, é melhor ficar atento.

De herói a fora da lei

Nesta nova aventura, você assume o papel de um caçador de recompensas famoso. Mas a tranquilidade dura pouco. A corporação Rhea Pharmaceuticals aparece como a grande vilã, planejando transformar a humanidade em gado para criar medicamentos. E quando sua irmã Lizzie entra na mira de caçadores, você acaba se tornando um fugitivo e precisa agir rapidamente para salvar o dia. Acompanhado por novas armas falantes, como Travis, um submetralhadora em crise, e Bowey, um arco que abre portais dimensionais, o jogo promete muitas risadas e ação.

Mudanças no gameplay

Uma das grandes novidades de High on Life 2 é a introdução do skate. O jogador agora pode deslizar pelos cenários, fazer manobras e até usar isso durante os combates. Isso traz um dinamismo diferente, mas pode ser cansativo. Muitas vezes, você vai sentir que não tem tempo para respirar entre uma ação e outra, a não ser durante algumas sequências de quebra-cabeças ou momentos de diálogo.

Diálogos afiados e humor peculiar

O roteiro é um dos pontos altos do jogo. Os diálogos são recheados de humor que oscila entre o “adulto” e o “infantil”, sempre com uma crítica afiada às convenções sociais, à indústria farmacêutica e até aos bilionários. As armas falantes, chamadas de gatlians, não param de falar, e essa é uma característica central do jogo. Se você optar por silenciá-las, pode acabar perdendo uma boa parte da diversão.

Investigação e tomadas de decisão

Em alguns momentos do jogo, você vai se sentir um verdadeiro detetive. Há sequências em que precisa entrevistar personagens e tomar decisões para desvendar mistérios. Esses momentos são longos e cheios de reviravoltas, amarrando bem a história. Mas, novamente, a leitura dos diálogos é essencial para não ficar perdido.

Desempenho e problemas técnicos

Quando testei High on Life 2, usei um PC potente, mas mesmo assim enfrentei problemas de desempenho. Alguns cenários com muitos efeitos visuais apresentaram quedas de frames, e ainda encontrei bugs que travavam o jogo, como personagens que desapareciam ou diálogos que não iniciavam. Embora algumas correções sejam esperadas, pode levar um tempo para que tudo fique suave.

Vale a pena jogar?

High on Life 2 não é um jogo para relaxar. Você precisa estar atento à história e, se não curte diálogos constantes, pode se sentir cansado. O skate traz uma nova dinâmica, mas também aumenta a dificuldade nos combates, que por si só são bem simples. O desempenho, com suas falhas, é um ponto negativo considerável. Apesar de ter apreciado a narrativa e os diálogos, a experiência geral não foi tão envolvente. Se não fosse pela história, talvez eu não tivesse vontade de continuar jogando.

Pontos positivos e negativos

Prós:

  • Roteiro sarcástico e diálogos excelentes.
  • Skate traz dinamismo à movimentação.
  • Novos personagens aumentam a diversão e o caos.

Contras:

  • Bugs e problemas de desempenho na versão para PC.
  • Combate não é tão fluido como se espera de um FPS.

High on Life 2 traz uma proposta interessante, mas alguns problemas técnicos e a necessidade de atenção constante podem afastar os jogadores que preferem um gameplay mais leve.