Criador de Legacy of Kain defende Unreal Engine 5 após colapso da Embracer

Unreal Engine 5 não é o problema, afirma criador de Legacy of Kain após colapso bilionário da Embracer

A polêmica em torno da Unreal Engine 5 continua em alta, especialmente após o recente colapso do Embracer Group. Denis Dyack, criador do clássico Legacy of Kain e também de Eternal Darkness, falou sobre os desafios que a indústria de games enfrenta hoje. Em uma conversa de duas horas no programa KiwiTalkz, ele analisou os problemas de desempenho que muitos jogos têm apresentado.

Dyack destaca que a Unreal Engine 5 não é a vilã da história. Na verdade, ele acredita que a questão está mais ligada à maneira como as empresas estão organizadas e ao cenário delicado que o setor enfrenta globalmente. Ele menciona que seu estúdio, a Apocalypse Studios, passou por várias mudanças de motor gráfico até se estabelecer com a tecnologia da Epic Games. Essa transição foi fruto de uma reconciliação, já que houve desentendimentos no passado relacionados ao jogo Too Human.

O Que Está Acontecendo com a Otimização

Um dos principais problemas que Dyack aponta é a falta de otimização em jogos, especialmente aqueles feitos com a Unreal Engine 5. Ele acredita que a indústria está tão apressada que muitas empresas não têm tempo para garantir que seus produtos rodem de forma fluida. Em vez de se concentrar na otimização, a prioridade tem sido criar novos conteúdos.

As equipes grandes, com profissionais altamente especializados, podem ser parte do problema. Dyack explica que, muitas vezes, esses especialistas em áreas como modelagem de vegetação não têm uma visão ampla do funcionamento do jogo como um todo. Com tantos colaboradores trabalhando em direções diferentes, fica difícil manter uma supervisão técnica eficaz.

Além disso, muitos desenvolvedores estão começando agora, com apenas dois a cinco anos de experiência, o que dificulta a compreensão de sistemas complexos como os da Unreal Engine 5. “Otimizar é complicado e cada gênero de jogo exige abordagens diferentes”, ressalta Dyack. Por exemplo, um jogo de corrida não pode ser otimizado da mesma forma que um RPG ou um jogo 2D.

O Colapso do Embracer Group e Seus Efeitos

Dyack também mencionou o colapso do Embracer Group, que perdeu um negócio de US$ 2 bilhões com o Savvy Group em maio de 2023. Essa falência levou a uma onda de demissões e fez com que a holding se desfizesse de vários estúdios, resultando em uma enxurrada de protótipos de jogos no mercado. Esses protótipos, com orçamentos altíssimos, acabaram dominando o cenário, tornando difícil para estúdios independentes competirem.

Com isso, a situação se tornou crítica para muitos desenvolvedores menores. Dyack estima que entre 50% e 70% dos estúdios independentes e de médio porte fecharam as portas. Essa crise afetou empresas que já estavam no mercado há muitos anos, fazendo com que o espaço para novos projetos encolhesse drasticamente.

O Futuro do Deadhaus Sonata

Apesar das dificuldades do setor, a Apocalypse Studios continua firme. Dyack atualizou os fãs sobre Deadhaus Sonata, seu novo projeto, que já conta com uma demo disponível no Steam. O lançamento da versão de acesso antecipado está previsto para este ano, inicialmente com a classe vampiro, mas com planos de adicionar mais conteúdos ao longo de 18 meses.

Os jogadores podem esperar um total de sete classes jogáveis, novas áreas, masmorras, e um sistema de progressão que envolve cartas de tarô e desafios específicos. Além disso, haverá ferramentas de criação de conteúdo que permitirão à comunidade desenvolver suas próprias masmorras e itens, enriquecendo ainda mais a experiência no jogo.

Dyack promete também a inclusão de dublagem, diálogos e recursos sociais como chat de texto e voz, tornando o jogo ainda mais interativo e envolvente.