A Microsoft está se preparando para reduzir sua dependência da OpenAI, conforme informações do Windows Central. Hoje, a empresa utiliza tecnologias como o ChatGPT e o DALL-E 3 para alimentar ferramentas como o Microsoft 365 Copilot e o GitHub Copilot. No entanto, líderes da gigante de Redmond estão expressando a intenção de desenvolver seus próprios modelos de inteligência artificial para ter um maior controle sobre o futuro dessa tecnologia.
Mustafa Suleyman, que comanda a divisão de IA da Microsoft, comentou ao Financial Times que a empresa precisa criar seus próprios modelos avançados, utilizando uma infraestrutura de grande escala. A ideia é garantir que seus sistemas operem de acordo com os interesses humanos, mostrando uma clara mudança na estratégia da companhia: menos confiança em terceiros e mais controle interno sobre tecnologias essenciais.
### Uma Relação Bilionária e Complexa
A Microsoft foi uma das primeiras a investir na OpenAI, detendo aproximadamente 27% da parte com fins lucrativos da empresa. Além disso, a Microsoft tem direitos sobre a propriedade intelectual dos modelos até 2032. Esse acordo trouxe vantagens competitivas, principalmente para ferramentas corporativas que utilizam a tecnologia GPT, dentro do ecossistema Azure e Microsoft 365. Contudo, a OpenAI enfrenta desafios financeiros, com compromissos bilionários em contratos futuros e ainda sem lucros. Mesmo com grandes investimentos de empresas como Microsoft e Amazon, o modelo de negócios ainda depende de novos aportes.
No ano passado, partes do acordo entre Microsoft e OpenAI foram reestruturadas. Isso permitiu que a OpenAI buscasse infraestrutura em outras nuvens, o que ajudou a mitigar o risco financeiro que a Microsoft estava assumindo.
### Impactos do GPT e a Estratégia da Microsoft
Atualmente, o GPT é o motor que impulsiona o Copilot no Windows, no Microsoft 365 e no GitHub. Essa tecnologia tem sido fundamental para transformar a proposta de valor da empresa, aumentando a produtividade e a automação no ambiente corporativo. Embora o Copilot ainda enfrente certa resistência no mercado de consumo, sua aceitação cresce rapidamente entre as empresas.
Se a Microsoft decidir desenvolver seus próprios modelos de IA, isso pode trazer vantagens significativas. A independência tecnológica seria um grande passo, reduzindo riscos associados às questões financeiras da OpenAI e otimizando custos a longo prazo. Além disso, modelos próprios poderiam ser mais bem integrados ao Azure, fortalecendo a posição da Microsoft no competitivo mercado de computação em nuvem.
Essa possível mudança não significa que a parceria com a OpenAI terá um fim abrupto, mas sim que a Microsoft está se preparando para se tornar uma potência autônoma em inteligência artificial.

