A decisão de usar a câmera em primeira pessoa em Cyberpunk 2077 sempre gerou debates entre os jogadores. Recentemente, o diretor criativo do jogo, Igor Sarzynski, explicou o raciocínio por trás dessa escolha e como ela se conecta à narrativa proposta pela CD Projekt RED.
Sarzynski destacou que a perspectiva em primeira pessoa se encaixa bem na história, no gênero e no mundo do jogo. Essa abordagem traz uma imersão única, essencial para a experiência que Cyberpunk 2077 oferece. Ele mencionou que o foco da trama é colocar o jogador na pele de um personagem que enfrenta um dilema intenso: viver em um corpo que está falhando. Essa perspectiva ajuda a evidenciar o desconforto e a sensação de aprisionamento, onde a única saída parece estar ligada à tecnologia.
Outro ponto interessante que ele trouxe à tona foi a presença de Johnny Silverhand, um “fantasma digital” que habita a mente do protagonista. Esse personagem só é visível para o jogador, o que torna a experiência ainda mais única. Sarzynski acredita que, ao jogar em primeira pessoa, a relação entre o jogador e Johnny se torna mais natural, pois se vê o mundo pelos olhos do protagonista, incluindo a interação constante com alguém que só ele consegue perceber.
Sarzynski também comentou que a câmera em terceira pessoa funciona melhor em jogos com protagonistas mais definidos e reconhecíveis. Ele citou figuras como Geralt, Kratos e Ellie, que têm identidades muito fortes e narrativas mais fechadas, o que justifica a escolha de mostrar o herói em cena. Para ele, isso não se aplica a Cyberpunk 2077, onde a experiência é mais pessoal e subjetiva.
Por fim, o diretor fez questão de esclarecer que essa discussão não deve ser vista como uma dica sobre um possível Cyberpunk 2. Ele estava focado apenas na construção narrativa do jogo que já conhecemos, deixando claro que não há pistas sobre o futuro da franquia.

