A Ubisoft anunciou recentemente que está passando por uma nova reestruturação interna e, com isso, não vai parar de fazer cortes em suas equipes. Na França, a empresa criou um novo plano de demissão voluntária, com o objetivo de eliminar 200 vagas no escritório de Paris. Chamado de “Rupture Conventionnelle Colletive”, esse acordo coletivo permite que a Ubisoft faça esses cortes sem usar o termo demissão, tentando evitar as complicações trabalhistas e a pressão dos sindicatos locais.
Atualmente, a Ubisoft afirma que essa proposta ainda é uma ideia inicial e que nada está definido até que um acordo formal seja feito com os representantes dos empregados e validado pelas autoridades francesas. Vale lembrar que esse plano afeta apenas os funcionários da divisão Ubisoft International.
Críticas à proposta da Ubisoft
Se a Ubisoft seguir adiante com essa proposta de demissões voluntárias, terá que oferecer algumas compensações. Isso inclui limitar o número de cortes e especificar qual suporte financeiro vai dar para quem aceitar a oferta. A expectativa é que a pressão sobre as equipes aumente nos próximos meses, já que cerca de 1.100 pessoas trabalham nos escritórios de Paris. Isso significa que a empresa está mirando em quase 20% da sua força de trabalho.
A situação pode se complicar se o “Rupture Conventionnelle Colletive” não for aceito, pois a Ubisoft pode insistir nas demissões de qualquer forma. Após o anúncio da reestruturação, houve um protesto em frente ao escritório da empresa em Paris, organizado pelo grupo Solidaires Informatique. Cerca de dez pessoas participaram e pediram pelo fim do programa de cortes, a manutenção do trabalho remoto e aumentos salariais decentes para todos.
Reações dos funcionários
Marc Rustchlé, representante dos funcionários no sindicato, criticou a situação, afirmando que o CEO da Ubisoft, Yves Guillemot, não parece compreender a empresa ou as necessidades dos colaboradores. Ele destacou que os desenvolvedores estão há anos sem receber aumentos, enquanto a empresa mantém altos executivos com salários exorbitantes, que pouco ajudam a resolver os problemas atuais.
O sindicato também classificou a proposta de demissão voluntária como “absolutamente repugnante”, especialmente porque surge em um momento em que a Ubisoft deixou claro que pretende aumentar a pressão sobre seus desenvolvedores. Isso significa que, com a inflação, os salários estão perdendo valor, tornando a situação ainda mais difícil para os funcionários.
Essa crise na Ubisoft é um reflexo das dificuldades que muitas empresas enfrentam no setor de games, e os trabalhadores estão se mobilizando para reivindicar melhores condições de trabalho e reconhecimento.

